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quinta-feira, 14 de março de 2013

I's justified.

Bom, tudo pode ser justificado. Posso dar várias razões para o atraso do Beco, sumiço do Beco, abandono no Beco, mas nas sábias palavras de Raylan Givens, I's justified! Gostei disto!
Alguém aí sabe quem é Raylan Givens? Como não? Tá legal, vou desculpar vocês, e dizer quem é, afinal o Beco do Crime está aqui para isto mesmo… Raylan Givens é filho do escritor norte-americano Elmore Leonard (na verdade ele é filho de Arlo Givens, mas como Leonard criou os dois….), apareceu primeiro no livro Pronto e depois em Rinding the rap e no mais recente, Raylan Givens. Assim como Karen Sisco e Jack Foley, outros personagens de Leonard, Raylan, volta e meia é citado nos outros livros do autor. Conheci o Raylan em Pronto, e apesar de achar o livro interessante (mas com sérios problemas na tradução), não me liguei muito no personagem de cara. Mas depois de ler outros livros de Leonard, a presença de Raylan nos fundos me deixou curioso. Quando comecei a assistir Justified, sabia que conhecia aquele nome de algum lugar, com a ajuda preciosa de Larry Page e Sergey Brin, finalmente, consegui ligar o nome a pessoa.
A série desenvolvida pelo FX, me ganhou logo de cara: começa com um tiroteio na cobertura de um hotel em Miami (tá lá no video no fim do delito). E Justified pega o gancho deixado em Pronto, Rylan confronta um suspeito e passa fogo nele depois de dizer que tinha avisado antes e que ele não soube usar as 24 horas para sumir como sugerido. Quando perguntado sobre o tiroteio, Raylan responde: It’s Justified. (não consigo uma tradução legal!).
Raylan e Ava Crowder
Como punição pela confusão, Raylan é realocado de Miami para Kentucky, e o condado de Harlan, sua terra natal, de onde saiu com a intenção de nunca mais voltar. E e aí que entramos na história e conhecemos mesmo Raylan Givens. Interpretado por Timothy Olyphant, Givens ganha cara e um arrastado sotaque caipira. Além de um cinismo e humor negro de primeira. Raylan é um delegado federal com um estranho senso de honra, apesar de honesto, o agente não se incomada em usar de violência, ameaçar os suspeitos e mentir para solucionar seus casos. Sem falar que não se incomoda em usar sua arma, e como deixa claro várias vezes, se tiver que sacar, vai atirar para matar! O que rende grandes momentos nos episódios, como quando atira no próprio pai, um criminoso costumaz. Com um inseparável chapéu Stetson 'Open Road' (outro motivos para boas piadas), Raylan cultiva um visual de cowboy moderno, completamente fora de sintonia nas grandes cidades, mas perfeito para Harlan e cercanias.
Winona Hawkins, ex esposa de Raylan
Mas uma série não é feita só de um personagem, mas de vários personagens coadjuvantes de primeira, sem falar nas belas mocinhas que Raylan vai passando o rodo no decorrer da série (muito machista?) nesta areas se destacam Ava Crowder (a bela Joelle Carter), esposa do criminoso Bowman Crowder (morto pela própria Ava, em legítima defesa, que fique claro) e Winona Hawkins (a loirinha Natalie Zea) ex esposa de Raylan e ainda apaixonada por ele. Na ala dos cuecas temos Art Mullen (Nick Searcy), chefe de Raylan e muitas vezes coniventes com os arroubos de seu delegado. Mas os grandes destaques nesta ala são mesmo, Boyd Crowder (vivido por um inspirado Walter Goggins), que também leva um tiro de Raylan (logo na primeira temporada) e o atormentado e psicótico Dickie Bennet (um Jeremy Davies magistral). 
Ava e Boyd Crowder
Além dos personagens bem desenvolvidos e carismáticos, a série mostra um lado dos Estados Unidos pouco conhecido por aqui, assim como True Blood e sua Lousiana, Justified retrata um lado rural e muitas vezes duro dos EUA, sem estereotipar, vemos o Estados Unidos country de uma maneira realista e surpreendente para quem está acostumado com series sempre em Nova York ou Los Angeles. Justified já está na quarta temporada e ainda vem agradando ao público e crítica. E parece que vai continuar no ar por mais algum tempo! Que nossa temporada em Kentucky ainda dure bastante tempo. Para não perder o hábito segue o trailer da primeira temporada, aqui já dá para ter uma boa idéia de quem é Raylan Givens (o tiroteio de miami está aí!):

 e uma série de tiroteios com Raylan:

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Tiro para todo lado!

Vou aproveitar que o blogger ainda não me detonou novamente e rapidinho apresentar um novo delito para os fãs do Beco. E desta vez, vamos longe no tempo e para o Arizona! É hora de bang-bang no Beco do Crime! E, nada melhor do que Clint Eastwood para detonar uns malfeitores e tomar um whiskey!
High Plains Drifter, ou O estranho sem nome, é o filme! E que filme! Segundo longa metragem dirigido pelo velho Clint, o filme foi lançando em 1973.
A trama começa com um estranho cavalgando pela cidade de Lago, em algum lugar do Arizona. Sob os olhares de todos da cidade, o estranho amarra seu cavalo na porta do saloon e entra para tomar um trago. As primeiras frases de Eastwood no filme são: – Cerveja... e uma garrafa.
Após servi-lo, o barman, pergunta: Você quer mais alguma coisa?
E a resposta, é no melhor estilo cowboy de Eastwood:
– Apenas uma hora de paz para beber!

Que, é claro, ele não consegue... Três pistoleiros começam a aporrinha-lo e o seguem até o barbeiro, quando o Estranho senta para fazer a barba, um dos três entra, gira a cadeira e leva um a balaço nas fuças! Os outros dois são mortos a seguir com tiros certeiros e impressionantes. E até agora, o pistoleiro não disse nada além das frases do bar. E vai dizer muito pouco no filme todo... mas quando abre a boca suas tiradas são inspiradas e sarcásticas...

Saindo do barbeiro, a caminho do estábulo, com a garrafa de whiskey na mão, Callie Travers, uma moça alegre da cidade, força um esbarrão e o insulta. Seguindo a linha machão casca-grossa, Eastwood dá-lhe um tapa na cara e arrasta a moça para o estábulo e a estupra. E o filme está só começando...
Logo, Eastwood fica sabendo que os defuntos que conheceu mais cedo, eram contratados da cidade para proteger os cidadãos de uma gangue que vai ser libertada da prisão em breve. E mais uma vez é incomodado quando tenta fazer a barba e tomar seu banho, agora pelo xerife que oferece o emprego dos pistoleiros para ele. A princípio, o Estranho recusa, mas quando o xerife diz que ele pode pedir o que quiser na cidade, a coisa muda de figura e Eastwood começa a abusar da moleza que recebeu.
Expulsa os outros hóspedes do hotel para ficar sozinho, obriga o armeiro da cidade a entregar armas para todos os cidadãos da cidade de graça para se defenderem e outros absurdos.

A atitude e rancor do pistoleiro é meio inexplicável, até a primeira noite de Eastwood no hotel. O cowboy tem o sono atormentado por um violento pesadelo, onde um xerife é chicoteado até a morte por três pistoleiros, a vista de todos os moradores da cidade, que não tomam nenhuma providência.

Mais a frente é revelado que os assassinos, os três que estão prestes a serem libertados, foram contratados pelos administradores da cidade para darem cabo do xerife Duncan e evitar a revelação de fatos comprometedores sobre a câmara de Lago.

Esta situação e outras passagens sugerem que o Estranho pode ser uma reencarnação do espírito do xerife, apesar de isto nunca ser citado ou sugerido explicitamente no filme.

O filme é ótimo, violento e cheio de atitude, como um bom filme do Beco deve ser! Os mais novos que só conhecem Clint Eastwood da fase posterior a Pontes de Madison, têm a obrigação de ver o filme e descobrir os primórdios de uma lenda do cinema.

Agora, o grande barato deste filme, e uma das razões para estar aqui no Beco, é a homenagem que foi feita por Frank Miller em "Daredevil" #219, uma história do Demolidor que saiu aqui em um Capitão América da Abril (caramba, tem tempo isto, tô ficando velho), chamada "Badlands". A história é sobre uma pequena cidade onde um homem é espancado até morte por uma gangue de motoqueiros com correntes de motocicleta. Um personagem sem nome, para muitos o próprio Matt Murdock, chega a cidade e após ser assombrado no sono por pesadelos numa trama atualizada de Um estranho sem nome!

Outra informação interessante é a presença de Geoffrey Lewis com o chefe da gangue, o veterano ator hoje em dia é figurinha fácil em filmes B e séries de TV, e no fim dos anos 90 foi o "mestre" do Van Damme no filme Double Impact.

A seguir o trailer do filme e o video do banho interrompido...