terça-feira, 10 de junho de 2008

Comparando alhos com bugalhos...

Quase que esta semana passa em branco também... Vários fatores têm atrasado os delitos, mas o principal é que não dá para postar qualquer coisa. Arrumar um assunto e fazer uma boa pesquisa toma tempo, este blog é feito com muito carinho e não pretendo fazer nas "coxas" só para dizer que fiz. Espero que vocês, comparsas (sejam os de sempre ou os ocasionais) gostem tanto deste espaço quanto eu. E, mãos a obra, vamos ao crime da semana.
Nascido nos céus, este jovem tem certeza que seu destino se encontra entre as nuvens. Mas esta certeza pode não se tornar realidade...
Esta simples premissa serve tanto para Matt Cruse quanto para Connor Brokehart. Dois jovens heróis que vivem grandes aventuras na era vitoriana, mas que nunca se encontraram nem nunca se encontrarão, os dois são frutos de da imaginação de dois autores diferentes. Eoin Colfer e Kenneth Opel partiram de idéias similares para criarem duas histórias completamente díspares.
Eu já conhecia o trabalho de Colfer do Artemis Fowl, então o que encontrei em Airman, a história de Connor, não foi uma surpresa, de diferente mesmo, apenas o tom mais sombrio e mais adulto, diferente de Artemis, Connor é um herói sofrido e melancólico, que reluta em assumir seu papel de redentor.
Em Airman, conhecemos a nação de Great Saltee, uma ilha na costa da Irlanda que, com a ascensão de um jovem rei, descobre as maravilhas da modernidade, Connor é filho do melhor amigo do rei, o chefe da guarda de honra, Declan Brokehart, e passa os seus dias brincando no castelo com a princesa Isabela, mas com o espírito de cientista que herdou da sua mãe, começa a estudar com o aeronauta francês, Vitor Vigny, velho amigo dos seus pais e do rei. O menino que nasceu a bordo de um balão, tem especial interesse por aeronáutica e junto com seu tutor sonham em serem os primeiros a voar em uma máquina mais pesada que o ar.
Mas as maravilhas modernas que o rei Nicholas trouxe para ilha não agradam a todos, Hugo Bonvilain, um dos mais influentes nomes do exército, não está nada satisfeito com a popularidade do rei e de suas ciências, e arma um plano para assassinar o rei, e de quebra estragar o futuro de Connor e seu pai. Vitor Vigny é morto quando tenta proteger o rei e acaba levando a culpa pelo assassinato, e Connor termina preso na ilha de Little Saltee, um presídio onde até hoje ninguém escapou. Apenas a sua inteligência e perseverança podem fazê-lo sobreviver para vingar seu amigo e salvar seus pais e sua princesa da sina que Hugo preparou para eles.
Se continuar a contar, termino por revelar o final da história, quem lê o Beco, sabe que não é a minha praia estragar o fim das minhas recomendações, então: leiam o livro!
Agora é hora de falar de Matt Cruse, personagem principal de Airborn, de Kenneth Opel. A primeira vez que ouvi falar de Airborn foi quando disseram que seria lançado um filme baseado no livro, descrição do enredo me chamou atenção e procurei saber mais sobre o livro. Terminei lendo o livro e gostei muito do que li. Aventura pura!
Matt Cruse trabalha no dirigível Aurora, luxuosa aeronave que cruza os céus de uma fictícia era vitoriana. Tudo seguia o seu rumo quando durante um turno de vigia, Matt observa um balão em trajetória de colisão com o Aurora, em uma arriscada operação de resgate o jovem consegue salvar o balão e seu ocupante, que, fraco pelo tempo a deriva no balão, termina por falecer na enfermaria do dirigível. No seu diário Matt encontra os rascunhos de uma bizarra criatura alada, meio morcego, meio pantera.
Na viagem seguinte, Matt descobre que a neta do balonista está a bordo do aurora, e quer provar que seu avô não estava louco e que as criaturas existem. Começa aí uma incrível aventura com piratas alados, seqüestros, acidentes. Novamente vou parando por aqui, fica a sugestão para vocês comprarem o livro, que não vão se arrepender. Para quem deseja saber mais, vale uma olhada no site do autor também: http://www.airborn.ca/
Se perguntarem qual dos dois eu recomendo, qual é melhor? É aquela velha história, estaria comparando alhos com bugalhos... a propósito, alguém já viu um bugalho?

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Spaghetti Aranha

Depois de uma semana sem novidades, o Beco está de volta, por enquanto sem abertura. Em breve, terei uma surpresa para vocês, aí em cima no começo do blog. Nesta semana, o Beco encontrou uma verdadeira raridade para apresentar a seus leitores, algo que me fez deixar a preguiça de lado e sentar na frente do computador para partilhar com vocês. (é verdade, semana passada não saiu nada, por pura preguiça minha, confesso...).
Já tem algum tempo que escuto falar em uma versão italiana do Homem-aranha, produzida nos anos 60, pela Alrugo Entertainment com direção Gianfranco Gatti e o astro Franco Franchetti - nomes mais famosos da produtora Este filme foi considerado uma das piores adaptações de todos os tempos, e assim como a versão de Roger Corman para o Quarteto Fantástico (merece um post no futuro...), nunca foi exibido nos cinemas ou chegou as locadoras.
Mas a internet é uma maravilha... A única cópia conhecida do filme estava perdida, no fundo do oceano no Atlântico Norte, dentro do cofre de um cargueiro que afundou em uma viagem para os EUA. Graças aos esforços de dois italianos, Vivaldi e Verdi Alrugo, netos do produtor Alfonso Alrugo, que decidiram satisfazer o último desejo do avô e bancaram uma expedição submarina para recuperar os rolos do filme após mais de 30 anos.
E agora, o filme está acessível a todos nós. Italian Spiderman está sendo exibido em forma de episódios no Youtube e na página do filme no mySpace. (http://www.myspace.com/theitalianspiderman).
E agora, sem mais delongas o primeiro episódio de Italian Spiderman:



Após assistir aos episódios fica bem claro o porque desta pérola nunca ter chegado aos cinemas e a razão das carreiras de Giancarlo Gatti e Franco Franchetti terem ido para o espaço... Os trailers estão em http://www.youtube.com/user/dariotown junto com teasers e outros promos.
Impressionados? Pois preparem-se, a história não termina por aí... leiam sempre as letras miúdas (os advogados não as inventaram por acaso...)

A Alrugo Entertainment é na realidade uma grande brincadeira. A produtora italiana foi montada por estudantes australianos de cinema da Flinders University, de Adelaide. Italian Spiderman é um trabalho destes estudandes. A história é toda uma grande farsa toda ela pensada para dar credibilidade ao filme , e por causa disto um grande barato!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

novas visões de velhos desenhos

Poucas novidades no Beco esta semana, mas ainda assim, novidades! Novo slideshow e agora o Beco conta com um sistema de busca do Google para ajudar os seus cúmplices. E um novo post. O delito desta semana tem um pouco de nostalgia e um tanto de novidade.
Nos anos 90, o Cartoon Network lançou um série de vídeos chamada “Groovies". Inicialmente pensada para preencher os espaços entre os shows do canal, “Groovies” era um videoclip com músicas temas dos próprios desenhos, hits populares e outros nem tanto montados com uma reedição de imagens dos desenhos de sucesso da programação. Inspirado no sucesso que este tipo de montagem fez no programa Space Ghost Coast to coast, os Groovies trouxeram Dexter, Johnny Bravo, Zé Colméia e outras em animações diferentes do que se via normalmente no canal.
O legal desta série é ver as releituras de temas clássicos em versões rock, dance, funk... e ver velhos desenhos em algumas animações nada tradicionais. Aí embaixo tem três "Groovies" para vocês sentirem o gostinho da brincadeira.







O Cartoon é um canal que sabe fazer muito bem a promoção de seus desenhos, é praxe do canal fazer dois personagens díspares se relacionarem em um comercial, sempre com muito bom humo e uma dose de sátira. Vale a pena sempre ficar de olho, pois tem muita coisa boa escondida na programação do canal.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Quem tem medo de Nero Wolfe

Bom, galera, já é hora de dar um tempo nos trashs. Desta vez vou falar um pouco de livros. Acabei de ler o livro Mulheres demais, de Rex Stout. Mas antes que alguém possa pensar besteira, eu aviso logo que o livro é um policial e dos bons.
Rex Stout é um escritor americano com uma carreira singular. Menino-prodígio em matemática, Rex freqüentou a Universidade do Kansas, mas logo abandonou os estudos para se alistar na marinha, em 1927, mudou-se para Paris e se tornou escritor, com uma obra traduzida para 22 idiomas, morreu rico e feliz (particularmente, eu acho que se o cara morre, ele não pode estar feliz...) em uma villa a beira do mediterrâneo. Sua maior criação é o detetive Nero Wolfe.
Nero Wolfe é gordo, pesa em torno de 130 kg, nunca deixa a sua casa seja para negócios ou prazer. Vive em Nova York, onde a maioria dos seus casos acontece. Mora com um cozinheiro e um escudeiro, bebedor de cerveja, passa grande parte do seu tempo entre os prazeres de uma boa mesa e uma estufa onde cultiva orquídeas. Wolfe é a antítese do detetive que costumamos encontrar na literatura, toda a ação é realizada e narrada pelo seu escudeiro, Archie Goodwin, que segundo palavras do próprio é “o coração, fígado, pulmão e estômago da atividade detetivesca de Nero Wolfe” – que entra apenas com o cérebro. Neste arranjo peculiar, Archie é responsável por coletar informações, procurar provas, fazer o contato com os clientes enquanto Nero Wolfe permanece em casa, “apenas” juntando as peças do quebra-cabeça e ocasionalmente passando ordens a Archie ou algum outro de seus colaboradores. Ao contrario das outras duplas de detetives, onde o ajudante quase sempre idolatra o chefe, Archie, apesar do respeito pelo gordo detetive, nem sempre concorda com as atitudes do seu patrão. Ele acha que muitas das decisões de Wolfe são deturpadas pelo seu comportamento anti-social. E funciona como um contraponto emocional a toda a racionalização de Wolfe. O detetive tem uma particular aversão por mulheres, para o gordo, as damas são sinônimo de encrencas, aborrecimentos e pistas falsas.
Neste livro, Wolfe e Archie se vêem as voltas com uma morte que pode ter sido ou não um assassinato ocorrido há mais de seis meses. Contratados pela empresa onde trabalhava o morto para descobrir se realmente ocorreu um crime, a dupla se envolve com mulheres fatais, mentirosos ciumentos, maridos traídos, funcionários insatisfeitos... E para grande desgosto do detetive, a maioria dos funcionários da empresa e dos suspeitos são do sexo feminino, fato que por sua vez, não abala nem um pouco Archie... Com uma total ausência de provas, mas os mais variados motivos para um crime, pela primeira vez, Nero Wolfe cogita ter encontrado alguém mais esperto que ele, até que um segundo assassinato muda o rumo da história.
Este já é o terceiro livro de Nero Wolfe que leio, e novamente, fui surpreendido pela trama. Diferente dos autores atuais como Joseph Finder, Brad Meltzer, David Baldacci e outros, Rex Stout não se apóia em uma correria frenética e reviravoltas muitas vezes absurdas.
Este livro, para quem gosta de policiais, merece uma leitura. Quem gosta de uma boa trama e personagens cativantes deve travar amizade com Nero Wolfe e sua equipe, não tem como se arrepender.
Algumas curiosidades, as histórias de Nero Wolfe já foram transportadas paras as telas em dois momentos: Meet Nero Wolfe e The League of Frightened Men. Além de mais recentemente ter virado uma série de TV com Maury Chaykin e Timothy Hutton nos papéis de Nero Wolfe e Archie Goodwin. E a mais legal de todas, John Lescroart, autor de inúmeros thrillers legais, em duas das suas obras (Son of Holmes (1986) and Rasputin's Revenge (1987)) sugere que Nero Wolfe seria filho de ninguém menos que Sherlock Holmes... isto explicaria as suas incríveis habilidades dedutivas. Hipótese apoiada por outros autores como William S. Baring-Gould e Philip Jose Farmer.
Na verdade, Rex Stout nunca fez nenhum tipo de referência a este parentesco, mas para quem conhece as histórias de Sherlock Holmes e de Nero Wolfe esta a hipótese é bem viável...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

pequenos bichinhos...

Rapidinho para não perder a semana. Quem nunca escutou falar em gremlins? Os monstrinhos foram um dos grandes sucessos dos anos 80. O primeiro filme dirigido por Joe Dante apresentou os mostrengos para o mundo e suas três regras: nunca expor a luz forte, nunca alimentá-los depois da meia-noite e nunca molhá-los! É claro, que para ter filme, em algum momento estas regras são quebradas e a bagunça começa.
O motivo do post desta semana é que há muito tem se falado em um terceiro filme da séria, com efeitos em CGI ou todo em 3D ou qualquer factóide, mas na realidade nada acontece. Ou melhor nada acontecia... a inglesa BT, trouxe as pestes de volta em um comercial para lá de bem humorado:



Agora é só esperar que hollywood se anime e traga Gysmo, Stripe e companhia de volta. Ah, o filme tem produção de Steven Spielberg...Para matar as saudades aí embaixo estão os trailers originais:



terça-feira, 22 de abril de 2008

mais pérola...

Semana curta, post curto... o post de hoje é quase um adendo do post da semana passada. Estou guardando assunto novo para semana que vem...
Pelo menos desta vez existe uma grande companhia por trás do filme, e a possibilidade de achar esta pérola um dia nas locadoras existe.
Vamos ao assunto rapidinho, o filme chama-se Zombie Strippers! A trama é a de todo o filme de zumbi: em um futuro próximo, um vírus de reanimação de corpos, projeto secreto do governo, acaba solto em uma pequena cidade do interior dos EUA. A diferença é que desta vez o vírus vai parar em um clube de striptease.
O filme tem no elenco Robert Englund, o Freddy Krueger da série A hora do pesadelo e a super porn star Jenna Jameson. O filme está muito mais para comédia do que qualquer outra coisa, graças a Deus...
Filme de zumbi sempre tem seu público, e é impressionante a criatividade da galera, depois dos zumbis molengóides do inglês Edgar Wright (Shaun of the Dead) ou dos espertos de Zack Snider (Dawn of the dead) e Danny Boyle (28 Days Later...), dos clássicos de George Romero, ou mesmo o zumbi mascote de Fido, agora surgem os zumbis dos poles dance... Eu imaginava que não fosse possível, mas os roteiristas de Hollywood conseguem se superar a cada minuto...
O site oficial da pérola: http://www.sonypictures.com/movies/zombiestrippers/index.html
Para vocês entenderem a razão do post, aí embaixo está o trailer:



quarta-feira, 16 de abril de 2008

Pérolas que nunca veremos por aqui...

Bom, já resolvi o problema do night club, agora temos um bom som tocando no Beco. Meus últimos delitos foram muito caretas, então desta vez, resolvi pegar um pouco mais pesado... Me lembrei de ter lido algo sobre este filme há algum tempo e resolvi checar nas catacumbas do Beco se conseguia alguma outra informação. Descobri pouca coisa, mas o que achei vale a postagem...
O filme da vez se chama: Werewolf in a women’s prison (a tradução ficaria algo como Lobisomem numa prisão feminina), e o filme é uma trasheira só... E é apenas mais um filme que nós aqui da Terra Brasilis dificilmente teremos a oportunidade de ver, seja no cinema, dvd, ou televisão... Há algum tempo, algumas emissoras ainda passavam uma ou outra trasheira na madrugada, mas hoje em dia me parece que vender tapete é mais interessante...
O filme tem direção e produção dos ilustres desconhecidos Vinnie Bilancio e Jeff Leroy, a história é bem simples:
Sarah Ragdale (a atriz Victoria De Mare) e seu namorado Jack (interpretado pelo produtor Vinnie...) estão acampando nas selvas da fictícia República de Canpuna, quando são atacados por um lobisomen, Jack é morto e Sarah mordida pelo bicho, mas com a ajuda de uma garrafa de vodka, a valente mocinha consegue atear fogo na criatura...
Ainda assim, Sarah é levada para uma prisão para criminosas insanas. O “renomado” estabelecimento correcional é dirigido pelo sádico Juan e sua assistente bissexual Rita. A dupla abusa das prisioneiras e coloca os filmes no site “Prison babes gone wild”. Por algum motivo obscuro, Sarah termina amiga de outra americana também detida em Canpuna sob falsas acusações, mas a situação piora rapidamente com a aproximação da próxima lua cheia, e as aparições de Jack como um fantasma avisando da maldição (recurso descaradamente copiado do clássico Um lobisomen americano em Londres – este sim um a filmaço!)
Enfim, a lua cheia chega e a prisão se transforma em um festival de membros e sangue voando...
Com um orçamento limitadíssimo, Werewolf in a women’s prison não pretende ser um vencedor do Oscar ou do Globo de ouro, o objetivo é simplesmente entreter com uma mistura de humor (muitas vezes involuntário), horror e sexo. Os efeitos especiais são bem produzidos e muitas vezes originais e a transformação de Sarah em lobisomem é o ponto alto dos efeitos. A escalação do elenco também merece um comentário, diferentemente dos Talavera Bruce da vida, todas as detentas são lindas e dispostas a ter as roupas rasgadas pelo lobisomem em nome da arte... os leitores do blog, com certeza, vão se interessar mais pelo filme que as leitoras...
Werewolf in a women’s prison é um filme que não se leva a sério e não somos nós que devemos levar, é diversão e sangue dentro de uma produção com todo o clima de um filme caseiro, as fotos do site oficial (http://www.wiawpmovie.com) mostram que o pessoal se divertiu para caramba fazendo este filme. E a capinha do dvd até que está legal...
O trailer/making of está aí para vocês conferirem:


quarta-feira, 9 de abril de 2008

Fucking Deutsche (atualizado)

Bom, galera, mil desculpas mas os alemães estão fora do ar, enquanto não arrumo uma solução melhor, fiquem com este playlist como quebra galho...

Me livrei dos alemães e do playlist, agora o Beco tem um night club decente com muito rock and roll.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Musik im Haus und Roboter auch

Antes de mais nada, como todos já devem ter notado (quem não notou, por favor, aumente o volume da sua máquina...) o Beco do Crime ganhou um night club, direto de Berlim com muito rock and roll para os meliantes. Traduzindo o título para aqueles que não são versados em alemão, música na casa e robo também!
E vamos ao que interessa, hoje o tema é desenho animado: The Iron Giant ou O Gigante de Ferro.
Muito antes de Os incríveis, ou Ratatouille, Brad Bird foi responsável por esta pequena obra-prima.
A trama do desenho faz alusão a guerra fria nos paranóicos anos 50. A história é a seguinte: Um robô gigante vindo do espaço, cai na Terra. Sem conseguir acessar sua programação original, o robô começa uma amizade com um menino, que termina por adotá-lo como seu “bichinho” de estimação.
Descobri este desenho por acaso. Num chuvoso sábado à tarde, depois de um farto almoço, zapeava indolentemente quando passei pelo Cartoon Network e a imagem me chamou a atenção. Um desenho extremamente bem acabado e diferente dos animes japonês ou os digitais da pixar ou dreamworks terminou por salvar meu dia e fiquei assistindo sem muito compromisso.
E que surpresa! O que estava na telinha era simplesmente um dos melhores desenhos que já assisti na vida. Sem aqueles números musicais da disney que terminam por encher o saco mais cedo ou mais tarde, sem a violência dos japoneses, com o humor na medida certa. Nada boçal demais para espantar os adultos ou muito “cabeça” para afugentar os pequenos.

O filme é de 1999 baseado em um livro de Ted Hughes, chamado The iron man, com roteiro do já mencionado Brad Bird, e um elenco de dubladores não muito conhecido (o nome mais famoso é o de Jenifer Aniston que na época era apenas uma das meninas de Friends) mostra personagens muito bem construídos e nada caricatos:
Hogarth Hughes (dublado por Eli Marienthal, nunca ouvi falar...): é o herói do filme, um garoto de 9 anos, com uma imaginação ativa, fica amigo do robô, e tenta a todo custo mantê-lo a salvo e escondido.
Annie Hughes (dublado por Jennifer Aniston): é a mãe de Hogarth, trabalha como garçonete na lanchonete local e tenta criar o filho sozinha da melhor maneira possível. Esta sempre a postos, esperando a próxima travessura de Hogarth
Dean McCoppin (dublado por Harry Connick Jr, conhecido crooner americano): é um artista, dono do ferro velho onde o robô se esconde, termina ficando amigo de Hogarth e do robô.
The Iron Giant (dublado por Vin Diesel, melhor atuação da carreira do careca): é um robô de 50 pés de altura, comedor de metal, com olhos que mudam de cor de acordo com o humor, meio que transfomers, com partes móveis que revelam um armamento pesado escondido pelo corpo. Se torna o herói e melhor amigo de Hogarth.
Kent Mansley (dublado por Christopher McDonald, quem?): é o ambicioso agente do governo encarregado de investigar as misteriosas aparições do robô, é o responsável por chamar os militares quando descobre provas irrefutáveis da existência do robô.
O robô passa a morar no ferro-velho de McCoppin, se alimentando de partes de carro e geladeiras velhas, e participando das brincadeiras de Hogarth. A dupla passa o filme inteiro tentando esconder o robô do restante dos moradores da cidade, mas hilários acidentes levam todos a crer que tem algo estranho acontecendo, até a chegada do agente Kent, que termina por descobrir a amizade de Hogarth e do Robô.
O final é um pouco chavão, com o exército tentando destruir o robô e a cidade ameaçada de ir para espaço, somente um grande sacrifício salva o dia... mas nem tudo é o que parece...
A animação mescla cenas geradas por computador e animação tradicional de forma brilhante. É praticamente impossível dizer onde termina uma e começa a outra. Tecnicamente o filme é perfeito, tem uma boa história, personagens cativantes, um excelente diretor.
A grande pergunta: é por que este filme não foi um sucesso? A única explicação para o fracasso comercial é que o estúdio responsável não quis investir no material que tinha em mãos... Algumas fontes dizem que a Warner preferiu investir em Pokémon, e lançou The Iron Giant sem a promoção necessária, ou que merecia, bom, neste caso, azar da Warner... e nosso, já que o fracasso comercial do filme no exterior, nos privou durante muito tempo deste tesouro. O bom é que graças ao sucesso dos outros filmes de Brad Bird, algumas cópias de The Iron Giant começaram a surgir por aqui, e o filme vira e mexe está passando no Cartoon.
Quem gosta de desenhos, não pode deixar de assistir, e quem não gosta também deve assistir, é uma chance abrir os horizontes com um material excepcional. O filme foi indicado ao The Hugo Awards, Brad Bird foi indicado pela the Science Fiction and Fantasy Writers of América para o Nebula Award nomination. E The Iron Giant ganhou nove Annie Awards sendo indicado para outras seis categorias e em 2008. Foi rankeado pelo IGN como a décima animação favorita do site. E aí está o trailer:

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Vampiros a solta

Bem, galera, o blog está com algumas novidades, logo novo, novo slideshow. A biblioteca continua firme e convido a todos a visitá-la. E muito obrigado! Já passou das 500 visitas. Deixando de lado o marketing, vamos a luta. O post desta vez é misto... um pouco de quadrinhos, um pouco de cinema... igual a pizza. Assisti ao filme 30 days of night semana passada, gostei bastante, mas achei que tinha alguma coisa diferente dos quadrinhos e então peguei a graphic novel para reler e estava certo...
Bem vindo a Barrow, o lugar mais ao norte do planeta, pequena cidade onde durante um mês do ano não há sol. Steve Niles e Ben Templesmith levam o terror ao Alasca. Durante os 30 dias sem sol, um grupo de vampiros resolve transformar Barrow em seu fast food particular. O ataque é bem planejado, os vampiros chegam em silêncio cortando as rotas de fuga e todo o tipo de comunicação com o resto do mundo. A horda pega todos os moradores de surpresa.
Muito menos badalada que a versão cinematográfica, a história em quadrinhos 30 dia de noite é simplesmente sensacional. Steve Niles apresenta personagens bem estruturados e um roteiro amarrado, onde os sobreviventes da primeira onda de ataque tentam sobreviver aos dentuços escondidos na velha fornalha da cidade.
A ajuda vem de forma inesperada, quando o grupo inicial de vampiros é confrontados por outros vampiros que não concordam com a invasão. O autor mostra os vampiros divididos, um grupo prefere agir nas sombras enquanto o grupo de Barrow se mostra ao mundo o que pode causar problemas a todos os vampiros no futuro.
Alem da briga entre os dois grupos, um misterioso personagem tem a intenção de expor todos os vampiros, fazendo vídeos e distribuindo-os pela internet. Este personagem tem uma importância maior no segundo livro, quando aparece uma organização que sabe da existência dos vampiros.
Os sobreviventes de Barrow depositam toda a sua fé no casal de policiais Eben e Stella Oleuman. Sob a liderança dos dois, o restante da cidade inicia uma guerrilha contras os vampiros, o nos leva um final inusitado para esta história.
Os desenhos de Ben Templesmith lembra Bill Sienkiewicz em Elektra: assassina, a arte é “suja” mas expressiva, com muitas surpresas escondidas pelos quadros. Perfeita para o clima claustrofóbico da história. (para os curiosos tem mais trabalho dele no site oficial: http://www.templesmith.com). Bill, inclusive, trabalha com Steve Niles em outra história da série.
Steve Niles e Ben Templesmith são parceiros habituais, os dois já trabalharam juntos em outros livros da série, como Dias sombrios, e Outros 30 dias noite – Retorno a Barrow, este universo criado pela dupla é imenso chegando até Rússia, pouco coisa saiu aqui no Brasil, o que é uma pena... O que tem publicado aqui vale a leitura.

Agora um pouco sobre o filme, Steve Niles participou do roteiro, o filme é dirigido por David Slade, do elogiado Meninamá.com, e conta Josh Hartnet e Melissa George nos papeis do casal policial, a produção é Sam Raimi, diretor dos três filmes do Homem Aranha e de Evil Dead.
Enquanto no filme, Eben e Stella estão separados (apenas um acidente a mantêm na cidade antes do começo dos 30 dias de noite) na graphic novel, os dois estão juntos. Os sobreviventes se escondem em um sótão e não da fornalha, e há somente um grupo de vampiros, o que na minha opinião é a diferença mais marcante. O confronto é um dos pontos altos da HQ e com isto o filme perde muitos pontos. De qualque maneira é um bom filme de horror, com sangue e com tudo que tem direito. Quem tiver a oportunidade de assistir não deve desperdiçar. Aí embaixo está o trailer.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Depois da páscoa...

Estou um pouco atrasado... semana passada foi curta e outros projetos terminaram por atrasar um pouco o Beco. Mas acho que agora as coisas irão andar melhor, espero que todos tenham tido uma ótima páscoa com muito chocolate (ou batata Pringles). E vamos ao post.
Mau humorado, convencido, egoísta, um pouco louco, hiperativo, questionador e totalmente adorável, assim é Calvin, genial criação de Bill Watterson. Publicado de 1985 a 1995, quando então, o autor resolveu que queria se dedicar a outros projetos, os quadrinhos mostram as aventuras do garoto em uma pequena cidade do meio-oeste americano (levemente inspirada na cidade natal de Watterson). Sempre acompanhado do seu tigre de pelúcia, Haroldo, Calvin e sua imaginação ativa vivem incríveis aventuras.
A chegada do terceiro livro da dupla às livrarias me levou a escrever este post, há um ano atrás eu comprei o primeiro livro, já fazia algum tempo que as tirinhas não eram publicadas por aqui e pensei que seria um bom momento para matar as saudades. O livro terminou passando pelas mãos de vários amigos que também sentiam falta das aventuras de Calvin, chegando ao ponto de ter sido seqüestrado e necessário uma operação de guerra para resgatá-lo, bom, mas isto é outra história...
Calvin e Haroldo fala de meio-ambiente, educação pública, pesquisas de opinião e outros temas atuais, de maneira bem-humorada e quase sempre com os pais do personagem sendo envolvidos em alguma travessura do garoto. Os pais são as vítimas preferidas de Calvin, porém, muitas vezes, eles mostram de quem Calvin herdou o comportamento peculiar, o pai (em nenhum momento os nomes dos personagens aparecem), não perde uma oportunidade de tripudiar, normalmente com respostas ainda mais absurdas às perguntas do garoto, deixando Calvin na dúvida se o que ouviu é verdade ou não...
Com sua imaginação, Calvin encarna vários outros personagens, um tiranossauro, um detetive, um inseto e o mais famoso de todos, o cosmonauta Spiff! Sem falar no próprio Haroldo, que quando está sozinho com Calvin, ganha vida e age como uma consciência para o menino, o contraponto (nem sempre) racional.

Alem de Calvin, Haroldo e dos pais do menino, outros personagens são recorrentes na série:
Susie Derkins, vizinha e colega de turma de Calvin. Susie é a única personagem importante da séria a ter nome e sobrenome. Educada, estudiosa, ela também tem seu lado negro, normalmente, implicando ou “entregando” Calvin aos adultos. Mantêm uma relação de amor e ódio com o garoto, e muitas vezes deixa transparecer que tem um sentimento mais profundo por Calvin.
Miss Wormwood, a professora. É severa e parece sempre estar de marcação com Calvin, mas na verdade só quer o melhor para seus alunos. Calvin, quase sempre, imagina a professora como um alien gosmento ou um zumbi que está tentando dominar a escola, o que lhe causa inúmeros problemas e situações embaraçosas.
Rosalyn, a babysitter. Rosalyn é uma adolescente e a babysitter oficial quando os pais de Calvin saem. Na verdade, ela é a única que consegue encarar Calvin, e é a única pessoa de quem o garoto tem medo.
Moe, o valentão da escola. Moe é o típico valentão, bate nos menores, extorque dinheiro, usa de apelido maldosos e é burro. Normalmente, Calvin tenta escapar dele usando de frases e situações que o outro garoto não consegue entender, o que nem sempre funciona...


Não posso deixar de falar do Calvinball, segundo descrição do próprio Calvin:
“Os jogos dos outros são chatos de lascar!
Eles tem que ter regras e manter um placar!
Calvinball é que é de arrebentar!
Nunca é o mesmo, é diferente assim!
Você não precisa de time, juiz ou afim!
Você sabe que é demais porque o nome vem de mim!”
O jogo é uma mistura de todos os esportes com bagunça generalizada, Calvin e Haroldo são os jogadores mais freqüentes, mas ocasionalmente Rosalyn joga em troca de Calvin fazer o dever de casa.

O triste é, que tirando algumas republicações (em 2005, foi lançado lá fora, um box com três volumes de capa dura com todas as tiras já publicadas, só de pensar me dá água na boca), nada de novo tem aparecido. Com internet e outras mídias explodindo por aí, chama a atenção a falta de outros produtos relacionados à série. Devido a um forte sentimento anti-merchandising de Bill Watterson, existem alguns poucos materiais de marketing oficial (disputados a preço de ouro pelos colecionadores). Não existe nada à venda, pelo menos não com o aval do autor, algumas camisetas e adesivos apócrifos podem ser encontrados por aí, mas é só...
O autor chegou a comentar que gostaria de ver o personagem em uma animação, mas nunca chegou a liberar o projeto. Um fã italiano produziu um versão que chegou ao youtube, mas Watterson conseguiu junto ao site que o video fosse tirado do ar.
Este comportamento (um pouco insano, na minha opinião) do autor termina por esconder uma das melhores histórias em quadrinhos já publicadas. O que é uma pena... Todos os fãs gostariam de ver Calvin e Haroldo na televisão, cinema e em todos os outros lugares possíveis. Só nos resta torcer para que Bill Watterson mude de idéia e nos traga de volta as tarde de Calvinball, Spiff e companhia...


terça-feira, 11 de março de 2008

Seria Warren Ellis deus?

O dia internacional das mulheres ficou para trás, mas o Beco do Crime não poderia deixar passar em branco, então o novo slideshow é uma homenagem a todas as damas fatais que passam pelo blog.
E vamos ao que interessa: Para muitos fãs de quadrinhos este escritor britânico está bem perto de ser considerado Deus... para outros ele é um lixo... Típico caso do ame-o ou odeie-o, Warren Ellis, nascido em Essex, segue firme e forte com um dos mais vendáveis roteirista da atualidade. Responsável pelos sucessos Planetary e Autority, séries violentas e contestadoras, e prestes a assumir o roteiro de Astonishing X-men no lugar de Joss Whedon, Ellis vai ter que se desdobrar para manter o nível, já que a série nas mãos de Whedon, ganhou todos os prêmios possíveis (bom, ‘tá certo que o criador de Buffy contou com a ajuda dos sensacionais de desenhos de John Cassaday). Mas este post não é para falar dos quadrinhos de Ellis e sim, de sua primeira incursão nos romances: Crooked Little Vein, publicada em Julho de 2007. Por um acaso do destino, terminei com um exemplar (em inglês) nas mãos. Estava procurando a obra já tinha algum tempo e não conseguia achar nada por aqui. Com Autority e Planetary arrebentado nas bancas e a expectativa crescendo em torno de Astonishing, achei que era um bom momento para falar um pouco de Warren Ellis e sua nova loucura.
Escrita na primeira pessoa como várias histórias do gênero detetive durão, a trama mostras as desventuras de Michael “Mike” McGill, uma antiga estrela em ascensão de uma famosa agência de investigação que hoje passa por uma interminável maré de azar. McGill é procurado pelo corrupto chefe de staff do presidente dos EUA para uma missão especial: para achar um exemplar muito peculiar da constituição americana. E, é a partir daí que começa a viagem de Ellis: o livro que McGill tem que encontrar foi escrito na pele das costas de um alienígena morto pelo próprio Benjamin Franklin depois de passsar seis noites sendo “sondado” pelos ET's. Quem já escutou falar de contatos imediatos deve entender do que estou falando... O livro passou pela mão de vários presidentes americanos até Richard Nixon perdê-lo em um bordel em São Francisco.
Ellis leva McGill a uma viagem através dos subterrâneos da América, e sem a Marvel ou a DC para segurar sua loucura, o inglês abusa. Pervertidos, loucos, corruptos, ninguém é inocente nesta viagem, palavrões, escatologia, violência, pornografia, Ellis vai enfileirando tudo que imagina nas página de seu livro, sem em nenhum momento perder o fio da meada, o que torna o livro uma excelente história de detetives. As desventuras de McGill, por mais absurdas que se apresentem, são descritas com uma riqueza de detalhes muitas vezes atordoantes. O que só acrescenta pontos a esta ousada estréia.
Quem já leu um pouco do trabalho de Warren Ellis em Authority ou Planetary vai entender o que estou falando, todas as referencias a cultura pop estão presentes nesta obra, sem as restrições de praxe. Divertido e sarcástico, o livro é um verdadeiro achado, depois que a gente se acostuma com todos os palavrões. Vou deixar um link no final com o primeiro capítulo para quem falar inglês (e quiser se arriscar). E só nos resta torcer que alguma editora crie coragem e aposte em Warren Ellis. Quem gosta dos quadrinhos de Ellis vai gostar de sua estréia, eu gostei. E muito!
A propósito, a capa aí de cima é de uma edição limitada e o cara aí do lado é o próprio.

Primeiro capítulo

terça-feira, 4 de março de 2008

Elvis não morreu...

Falando de filmes novamente. Há algum tempo atrás pus as mãos em um filme chamado Bubba Ho-tep. Já tinha lido sobre ele na internet, depois escutei alguns comentários por aí, até que, enfim, consegui uma cópia e me surpreendi com o que encontrei: filme B dos bons! Estrelado por Bruce Campbell, o Ash da série Evil Dead, e Ossie Davis, o filme conta a hilária história de um Elvis Presley velhinho enfrentando uma múmia do antigo egito com a ajuda de um John Kennedy negro (isto, mesmo, negro!). Baseado em um conto indicado ao Bram Stoker Award de Joe R. Landasle, Bubba Ho-tep conta a “verdadeira” história do que realmente aconteceu com Elvis.
Logo no início do filme, encontramos o Rei envelhecido em um asilo perdido no meio do Texas. Em flahsbacks, descobrimos que Elvis estava cansado da vida artística que levava e certo dia, após encontrar um dos seus muito imitadores, decide trocar de lugar e tirar um ano de férias. Tudo feito as escondidas para não levantar suspeitas mas com um contrato para garantir sua volta (tem sempre um advogado nestas confusões). O que ninguém contava era com a a morte do imitador antes do fim do prazo... e que um desajeitado Elvis queimasse o contrato ao tentar fazer um churrasco...
E assim, ninguém acredita que Elvis é mesmo Elvis... e passa a viver sua vidinha decadente até terminar no asilo.
No seu retiro forçado, Elvis termina por conhecer Jack, um velhinho negro que afirma ser John F. Kennedy. O dialogo entre Elvis e Kennedy, no momento que se conhecem é sensacional, lá pelas tantas, o Rei pergunta: você sabe que é negro, não sabe? E Jack responde, eu sei, eles me tingiram para ninguém suspeitar de nada...
E os dois vão levando a vidinha sem maiores aborrecimentos que uma próstata inchada, ou artrite nos joelhos (O Rei usa um andador o filme inteiro, o que proporciona algumas cenas hilárias) quando se vêem novamente a frente da ação para enfrentar um múmia do antigo egito que, também depois de muitos percalços, termina no mesmo fim de mundo que eles...
Dirigido por Don Coscarelli, o filme ganhou inúmeros prêmios no exterior, dentre eles o de melhor ator para Bruce Campbell e roteiro. O sucesso no circuito alternativo e a performance de Bruce Campbell como Elvis já geraram comentários que uma continuação está a caminho: Bubba Nosferatu! Elvis versus Drácula, hehehe... aguardo ansiosamente.
E neste caso, Bruce Campbell é o filme, o ator está completamente a vontade no papel do Rei, a maquiagem é ótima, Bruce parece que é realmente um decaído Elvis, somado a atuação sempre segura de Ossie Davies temos um filmaço. Não sei porque nunca saiu por aqui, nem cinema, televisão, net, locadora, nada... Quem tiver a chance de assistir, não pode perder.
Para finalizar vou aproveitar para falar um pouco de Bruce Campbell. Considerado o rei dos filmes B, Bruce aproveita esta fama com muito bom humor, amigo de Sam Raimi (diretor dos 3 filmes do Homem Aranha e da série Evil Dead), sempre aparece em hilárias pontas nos filmes do amigo (muitas vezes sem crédito) e ainda é autor de inúmeros livros de "autoajuda", como o best-seller: Como fazer amor do jeito de Bruce Campbell...
Aí embaixo o trailer para vocês sentirem o gostinho:

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Um achado arqueológico

Bom, antes de mais nada, queria pedir desculpas a uma das minhas comparsas mais fiel, Miss Lewis, o link para o site dela estava errado! Já foi corrigido, me desculpe, Miss Lewis, prometo prestar mais atenção daqui em diante. E aos meus demais comparsas pela demora em cometer um novo delito.
E agora, vamos ao que interessa! A bola da vez é quadrinhos! Mais especificamente bons quadrinhos. Já reclamei aqui que não vejo nada de bom nas bancas há algum tempo (tirando algumas raras exceções), então fiz algumas excursões arqueológicas e achei algumas raridades, dentre elas, American Flagg de Howard Chaykin.
Já falei um pouco de Howard Chaykin quando comentei uma revista do Lanterna Verde, vou aproveitar para falar um pouco mais. Chaykin nasceu em 1950, em Newark, New Jersey. E começou sua carreira nos quadrinhos como assistente de outros grandes nomes como Gil Kane e Neal Adams. Em 1976, Howard foi convidado para ilustrar a adaptação em quadrinhos de Guerra nas Estrelas, Uma nova esperança que se mostrou um grande sucesso. Logo abandonou a Marvel e partiu para trabalhos mais adultos e controversos. E em 1983, lançou American Flagg, um incrível sucesso, onde Chaykin junta todas as suas idéias anteriores e interesses em um material único recheado de referências a cultura pop.
American Flagg chegou ao Brasil pela primeira vez através da editora Cedibra nos anos 80. Na contramão do mercado, a editora optou por lançar American Flagg em formato original, junto com outras três revistas, o preço era justo e qualidade da impressão boa, mas a aventura teve vida curta, as outras revistas foram canceladas logo no começo, American Flagg ainda durou um pouco mais, e teve mais algumas edições pela Abril logo depois.
A estória se passa no ano de 2031, e a premissa básica é a seguinte: após uma série de crises no ano de 1996, o governo dos Estados Unidos e as grandes corporações são forçados a mudar para Hammarskjold Center, em Marte (isto mesmo, outro planeta). Com a saída dos EUA do planeta, e o fim da União Soviética (entrou em colapso devido a inúmeras insurreições islâmicas) o domínio do mundo se divide entre a União Brasileira das Américas e a Liga Panafricana.
Entretanto o governo exilado, as megacorporações e uma colônia lunar da antiga União Soviética se juntam para formar a Plex, uma gigantesca união interplanetária entre corporações e governo para conduzir o comércio e a política norte-americana da sua nova capital em Marte.
Ambientando a série em grandes shoppings onde as pessoas moram, compram e trabalham, muitas vezes em condições sub-humanas, Chaykin faz uma crítica mordaz aos rumos que a sociedade estava tomando a época (e ainda hoje).
É em meio a este ambiente, que encontramos Reuben Flagg, astro de televisão convocado para servir como ranger (soldado/policial/xerife). Flagg, a principio, é um bobalhão, astro de TV, que pensa que ainda está nas telas e que tudo é uma grande aventura. Mas, a medida que a trama evolui, vai descobrindo que são grande as chances de ele estar do lado dos bandidos. As descobertas vão se avolumando e a partir de determinado momento ele tem que tomar uma decisão, e mostrar a que veio.
Entre os personagens principais da séries, destacam-se, além de Flagg, Raul, o gato, um gato caseiro laranja, inteligente e capaz de falar; Hilton "Hammerhead" Krieger, o superior de Flagg, corrupto até a alma, Amanda “Mandy” Krieger, filha de Hilton, trabalha como controladora de vôo no “plexporto” de Chigago e mais tarde se torna ajudante de Flagg.
TV’s piratas, mensagens subliminares, governos e policiais corruptos, muita violência, uma boa dose de sexo, transformaram American Flagg em um sucesso, até Howard Chaykin sair dos roteiros e desenhos. Com a saída do seu criador a série perdeu em qualidade e terminou cancelada pouco tempo depois.
Como disse antes, pouca coisa saiu aqui no Brasil, mas o que saiu era muito bom. Com Chaykin empolgado este material fez a alegria de quem queria sair da mesmice que se encontrava o mercado brasileiro na época. Os desenhos sujos de Chaykin eram uma benção para os brasileiros que começavam a ver que existiam mais coisa em quadrinhos além de Cebolinha e Mickey... Quem gosta de quadrinho pode (e deve) procurar este material por aí, já vi em sebos e barraquinhas, não é difícil de achar, basta ter um pouco de paciência.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Um post especial



























Para quem não sabe ou não leu, o Beco do Crime saiu no jornal neste fim de semana, revista Domingo do JB. Valeu mesmo, Carol!!!
Todos estes elogios só aumentam a vontade de fazer um blog ainda melhor!

Agora, vamos deixar a rasgação de seda para lá e partir para o que interessa. Desta vez, vou falar de livro, muita gente vai achar estranho o livro escolhido, mas o cara é amigo meu e merece uma força. Vicente Parente é carioca, mas começou a carreira na Inglaterra, onde teve aulas com Vinnie Jones (leiam o blog, assim vocês vão entender as referências...), e seu livro de estréia chama-se Imaculado Lorenzo. A trama se passa em Baixos Sertões, uma cidade do interior cheia dos personagens que você espera encontrar nestes lugares, como o delegado que age acima da lei, políticos populistas e corruptos, o padre bonachão, as beatas...
Por que este livro estaria no Beco? Porque Lorenzo Ponchito Fernandez, jagunço casado com Matilde de Alencar, a mulher mais bela e desejada de Baixos Sertões, resolve lavar sua honra com sangue!
O pobre Lorenzo Ponchito acha que sua mulher estava de caso com o médico de cidade e mata a musa da cidade. A partir daí, temos uma estória cheia de reviravoltas onde todos tentam descobrir se Lorenzo Ponchito tinha razão. Nesta sua estréia, Vicente consegue misturar bom humor e suspense em um texto enxuto e bem amarrado. Com a ajuda de um corvo que passa a sobrevoar a localidade cria uma atmosfera irreal que leva os leitores a uma viagem inusitada por uma cidade que a toda o momento nós pensamos reconhecer.
Vicente Parente se revela um ótimo autor (muito melhor do que o zagueiro que era na sua juventude antes de encerrar a carreira de peladeiro). Vale a pena ler o livro, pode ser difícil de encontrar por aí, é bem diferente do que normalmente aparece aqui no Beco, mas é uma boa pedida também.

PS. Esta foi a única foto do autor que eu consegui, se ele mandar uma foto mais atual, eu posso ver se troco....

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

um post rapidinho

Galera,
descobri este vídeo na internet (crédito para o pessoal do Omelete), e achei que ficava bem aqui no beco. Marvel Zombies é uma das melhores sacações da marvel, os quadrinhos de Robert Kirkman mostram o que acontece quando Stan Lee encontra George Romero. E uns loucos resolveram filmar... o resultado está abaixo:

MARVEL ZOMBIES THE MOVIE

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Pobre manhattan

Já tem um tempo que não falo de quadrinhos, principalmente por que não tenho visto nada que me enchesse os olhos nas bancas. Mas olhando na estante aqui de casa, encontrei o exemplar de DMZ que ganhei no ano passado. Uma coletânea (em inglês) da primeira fase da série que hoje está saindo no Brasil em edições da Pixel Magazine (e para vocês morrerem de inveja, o meu exemplar tem dedicatória e autógrafo). A série DMZ é publicada pela Vertigo, braço da DC comics e é escrita por Brian Wood com desenhos do italiano Riccardo Burchielli. Graças ao atual clima de paranóia e os conflitos políticos que os Estados Unidos se meteram, DMZ mexe em algumas caixas de maribondos e prova que quadrinhos é capaz de provocar reflexões sem em nenhum momento deixar a ação de lado.
Mas vamos deixar a política para lá e vamos ao que interessa: o termo DMZ, título da série, significa Zona Desmilitarizada, e na história, refere-se à área de Manhattan num futuro próximo. Na série, os Estados Unidos da América se encontram divididos, desde o surgimento de um grupo rebelde denominado Exército Livre, que declarou guerra contra o estado nacional. A ilha de Manhattan foi devastada e tornou-se território neutro, ocupada apenas pelos poucos que não a abandonaram. (coitada de Manhattan, sempre sobra para ela...)
O personagem chave da série é o jovem Matt Roth, contratado como estagiário de uma grande rede de televisão, e designado para acompanhar um jornalista de renome, vencedor de Pulitzers. Entretanto, assim que chegam a Manhattan, a equipe de Matt é atacada, quase todos são mortos e o fotógrafo fica perdido na DMZ.



A narrativa é ágil e o tom da história não é pesado, apesar de estarmos no meio de uma guerra, há um certo comedimento em relação as cabeças explodindo, braços arrancados e sangue de uma maneira geral. Mérito para o italiano Burchielli que mostra que sabe dosar as emoções e desta forma consegue valorizar cada pedaço de corpo que aparece no resto da série. Há uma cena marcante, onde Matt visita um hospital improvisado onde estão as crianças vítimas dos combates que assolam a cidade, nestas páginas Burchielli mostra que é capaz de chocar sem apelar. Na minha opinião, uma das melhores seqüência dos quadrinhos atuais. A série está sendo bastante comentada lá fora, e já está fazendo o sucesso que merece aqui. Então para encurtarr, é leitura obrigatória para os fãs de quadrinhos, elogiei bastante os desenhos de Bruchielli, mas os roteiros de Brian Wood, egresso do quadrinho independente norte-americano com vários Eisner nas costas (para quem está chegando agora, o Eisner é o correspondente ao Oscar nos quadrinhos), também são excelentes, até a parte que li da série, a história está muita bem amarrada e você tem certeza que Wood sabe para onde está levando seus personagens, o que já muito bom perto do que tenho visto acontecer na Marvel e DC... E mostra que toda a badalação em torno do seu nome antes de chegar uma grande editora era merecida.
Uma curiosidade: recentemente, um conhecido editor de quadrinhos foi barrado em um aeroporto, simplesmente por levar na mochila um exemplar da série. Foi considerado suspeito de terrorismo... Ô paizinho louco este tal de EUA..

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Atendendo a pedidos!

Atendendo a um pedido, vou falar de refilmagem, mas também não vou falar das mais óbvias, por que não teria graça. Bom, não vou comentar idade, pois temos damas lendo o blog e não pretendo comprometer ninguém, mas acho que a grande maioria assistiu ao filme “Golpe Baixo” (The Longest Yard – 1974), com Burt Reynolds, na sessão da tarde. Neste filme, Burt faz o papel de um astro de futebol Americano que é preso e por ser famoso termina na prisão de um diretor fanático por futebol. O louco força o personagem a treinar um time para enfrentar os guardas e aí o bicho pega. Este filme teve uma refilmagem recente com Adam Sandler no papel que era do Burt que não fez muito sucesso. Mas a refilmagem que quero comentar é a versão inglesa com Vinnie Jones no papel de Danny Mehan, ex capitão do English team, primeiro banido do futebol por arranjar um resultado de um jogo entre Inglaterra e Alemanha e depois condenado por atacar dois policiais durante uma bebedeira.
Em cana, Danny enfrenta problemas por ter se vendido ao alemães, a desconfiança é tanto dos guardas quanto dos outros prisioneiros, e quando a situação parecia que não poderia piorar, é “convocado” pelo diretor da prisão para treinar o time dos guardas. Para não ficar com a imagem ainda pior com os outros presos, ele propõe um jogo entre guardas e detentos.
E aí que o filme fica legal, Danny encontra grandes dificuldades para montar o seu time, ninguém quer jogar com um traidor da pátria... quando enfim consegue convencer os outros detentos que aquela seria a grande chance de se vingarem pelos maus tratos sofridos nas mãos dos carcereiros, ele descobre que nem todos sabem o que é bola... (afinal nem todo mundo é brasileiro).
A grande diferença para outros filmes que tratam de futebol, é que neste caso não tem americano envolvido! A grande maioria dos artistas são britânicos e é claro sabem o que é futebol, então as cenas não parecem falsas e produzidas por coreógrafos da Broadway para cachorros fofinhos... O futebol é para valer (bom, quase sempre...).

O filme tem a produção de Mathew Vaughan que recentemente dirigiu Stardust de Neil Gaiman, e é responsável também por Snatch - Porcos e Diamantes e é da mesma escola de Guy Ritchie e seus filmes de gangsters ingleses.
Mas, o barato do filme é mesmo Vinnie Jones, mais conhecido como o Fanático do terceiro filme da série X-men, Vinnie está em casa como o ex-capitão da seleção em inglesa, já que durante anos foi jogador do Leeds United da Premier League. Como jogador, ele tem uma carreira marcada por confusões, ficou famoso por lançar um video chamado Soccer's Hard Men em 1992, com cenas suas e de outros jogadores entrando duro e matando a jogada com vontade! Inclusive com aulas de como bater e não ser visto pelos juizes... Por causa deste vídeo foi multado em 20.000 libras pela federação inglesa, ainda detêm o recorde de cartão amarelo mais rápido da história, com 3 segundos de partida e ganhou notoriedade quando apertou os testículos de Paul Gascoine, então capitão da seleção inglesa, durante um jogo! Um verdadeiro bad boy... Hoje é um bem sucedido ator de hollywood, normalmente fazendo papéis de gangster inglês caladão...
Outro que está no filme é Jason Statham, mais conhecido como o motorista de Carga Explosiva, no papel de Monk, o goleiro psicopata do time.
Não dá para contar com o risco de estragar as surpresas, mas embaixo vou deixar o trailer do filme e uma recomendação, principalmente para quem gosta de futebol e para quem gostou de Snatch, assistam ao filme! Já tem em DVD com o nome de Penalidade Máxima, o titulo original é Mean Machine. (e no menu do video do Youtube tem outras cenas do filme, inclusive uma abertura que parodia 007)


quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Um sonho de liberdade

Bom ano novo para todos os meus três leitores fiéis! Os mais próximos entenderão o título do post.
Desta vez, volto a falar de livros. "Primavera eterna – Rita Hayworth e a redenção de Shawshank", conta a história da injusta condenação de um homem à prisão perpétua como ponto de partida para falar sobre o desejo de liberdade. Apesar da grande maioria conhecer o filme, que tem o mesmo título do post, o livro é muito melhor. A adaptação para as telas - com Tim Robins e Morgan Freeman - fez grande sucesso. Porém o livro é do mestre do terror Stephen King, e eu já vi em versão "solo" ou junta com as outras três estações, formando um livrão (a capa nova é esta do lado, no fim do post tem a capa mais antiga).
Diferente do que estamos acostumados, King mostra muito pouco do terror fantástico que encontramos em "O iluminado" ou "A coisa", focando em relacionamentos humanos e o dia-a-dia dos personagens comuns. As quatro estações são a já citada Primavera Eterna, onde um condenado a prisão perpétua pede um poster de Rita Hayworth para decorar sua cela, e de uma maneira inusitada usa a diva como uma camuflagem para sua fuga espetacular, contar mais seria contar o fim e não vale a pena, leiam o livro.
Além desta primavera, temos "Outono da inocência - O corpo", que deu origem ao filme "Conta Comigo" (é galera, este filme é baseado em um conto do Stephen King, tem gente que não acredita...), onde quatro garotos partem em uma jornada em busca do corpo de outro jovem atropelado por um trem. Uma curiosidade: o filme tem no elenco Kiefer Sutherland (O Jack Bauer em pessoa!), River Phoenix e Corey Feldman. O conto seguinte é "Verão da corrupção – Aluno inteligente", onde um jovem estudante, exemplo de comportamento na comunidade onde vive, descobre que um refugiado nazista está morando na vizinhança. O jovem se aproxima do criminoso e termina envolvido em um jogo de gato e rato, onde só ele tem a perder. Este também virou filme, "O aprendiz", com direção de Brian Singer e com sir Ian McKellen no papel do velho oficial nazista. O filme, apesar de bom, não fez muito sucesso à época do lançamento. E este conto, é na minha opinião, o melhor dos quatro que fazem parte do livro. A quarta estação é "Inverno no clube – O método respiratório", que narra a luta de uma jovem para conceber seu primeiro filho a qualquer custo. O legal deste conto é que esta história é contada por um dos personagens que é membro do clube do título, durante uma reunião dos membros do clube onde todos contam histórias, reais ou fictícias. Apesar de King não usar do fantástico da maneira usual, ele está presente em cada um dos contos como uma marca do autor, e é isto que torna este livro tão interessante. Na minha opinião, vale uma leitura, se tiverem a oportunidade, não desperdicem, pode ser na versão completa ou qualquer estação que vocês encontrarem.